Saudações. Li hoje os posts que tenho feito aqui no blog. Pensei. Ninguém me conhece. Sabem que sou o Reinaldo. Nada mais. Vou contar-vos então um pouco da minha vida.
O meu pai. Nuno António. Ferreiro de profissão. Morreu quando eu tinha 3 anos. Nunca o conheci verdadeiramente. A minha mãe. Emília Isabel. Dona de casa. Nasci em 1988. Faziam 14 anos que tinha sido a revolução dos Cravos. No parto detectaram-me uma doença crónica. Obesidade mental, chamaram-lhe. Fui caso raro dessa maleita. A minha obesidade mental era mórbida. A enfermidade impediu-me de sair de casa. Ficava no meu quarto. Nunca tive grande acesso ao conhecimento. O que aprendi foi com a minha mãe. O resto foi tudo por mim próprio.
A minha mãe faleceu. Desde então tenho aprendido mais coisas. Tinha eu 13 anos e não sabia nada do Mundo. Sabia algumas coisas. Mastigar. Engolir. Respirar. Dormir. Urinar. Defecar. E ler. As duas últimas ajudaram-me bastante a adquirir conhecimento. Enquanto estava no WC lia. Apareceu a internet. Os meus horizontes alargaram-se. Cultura. Política. Desporto. Ciências. Proxenetismo. Novos mundos. Novo conhecimento.
A primeira dificuldade que encontrei foram as siglas. Actualmente fazem sentido. Nessa época era algo confuso para mim. Consoantes a seguir a consoantes. Nada disso fazia sentido. PPD-PSD. ASAE. CMVM. SLB. CRIL. WC. WWW. HTML. Entre muitas outras. Comecei a encará-las como sendo novas palavras. Pesquisei. Percebi do que se tratava. Depois pensei. Será que o meu nome é uma sigla. Naquela época tudo era confuso para mim. Nesse momento o MUNDO era uma sigla. Tentei achar significados para tudo. Encontrei muitas coisas na net. Antes palavras simples. Depois ideias complexas. Pequenas palavras com tanto significado.
* MÃE - Mulheres Anti-Embriões (Movimento de freiras fanáticas nepalesas)
* PAZ - Polícia Armada Zambiana (Melícia rebelde da Zâmbia)
* AMOR - Associação Maldosa de Ódio e Raiva (Associação Neo-Nazi Húngara)
* CASA - Comissão de Apoio a Sem Abrigo (Apoio aos sem abrigo em Kuala Lumpur)
Eram muitos. E pensei no meu nome. Fiquei sem dormir vários dias. Será que os meus pais me detestavam assim tanto? Acho que sim.
REINALDO - Rapaz Enfermo Incapacitado de Nascença de Adquirir Licenciatura ou Doutoramento em Obstetrícia
Logo de nascença impedido de mexer em qualquer tipo de vulva, vagina, útero, etc, mesmo profissionalmente. Não bastasse o nome próprio, o apelido ainda era pior:
RUSSIANO - Reinaldo Um Ser Sempre Infectado Amputado será No ano Oitavo
É claro que algumas palavras tiveram de ser acrescentadas. Senão não haveria qualquer significado nas "frases". O que é certo é que não tenho nenhuma licenciatura. Ou doutoramento em obstetrícia. O meu pénis foi amputado. No oitavo dia. Do oitavo mês deste ano. Coincidências. Talvez. Prefiro acreditar apesar de tudo.
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sábado, 21 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Descobrir o Mundo, por Reinaldo Russiano (III)

Hoje escrevi sobre desporto. A prática regular de uma actividade desportiva faz bem. Faz muito bem. Muito bem mesmo.
Existem muitas modalidades. Fui-me informar. Em Portugal, o football é o desporto mais praticado. Até lhe chamam o "Desporto Rei". Os jogadores profissionais ganham muitos dinheiros. São muito ricos. Aparecem bem vestidos e bem acompanhados. Escolhem as fémeas em função dos seios. Eu não me importava de ser um deles.
No football os machos e as fémeas não podem jogar juntos. Acho que é uma injustiça. Descobri também que existem grupos de jogadores que representam os países em competições internacionais. Chama-se "Selecção Nacional". É o dono da Selecção que os escolhe. Em Portugal há muitos jogadores estrangeiros. Acho fantástico esse facto. Portugal é um país que diz "Não" à xenofobia
Também há competições internas divididas em várias etapas. A mais alta é a Liga Sagres. O nome é sugestivo. Honra decerto os descobrimentos marítimos portugueses levados a cabo por Infante D. Henrique. Nem no desporto nos desligamos da História. Extraordinário!
Descobri ainda que existe um clube chamado "grande" perto de minha casa. Ficava perto do Centro Comercial Colombo. Chama-se Sport Lisboa e Benfica e tem um recinto enorme. Fui a uma partida. O recinto era bem maior por dentro. No meio da estrutura estava um jardim. Cheio de pinturas. Não percebi as pinturas, devia ser uma vertente Abstraccionista que eu desconhecia. Não entendi. Indicaram-me uma cadeira. Sentei-me. Várias pessoas sentaram-se ao meu lado. A cadeira estava virada para o jardim. Apareceram vários jardineiros. Em todo o recinto as pessoas batiam palmas como se de uma peça de teatro se tratasse. Pararam. Durante cerca de três quartos de hora os meus "vizinhos" insultaram os jardineiros. Quis-me levantar. Fui impedido. Está-me a tapar a vista, palerma. Gritavam. Tinha já passado uma hora desde a minha entrada. Sai.
Não gostei. Não havia desporto. Havia arte, ou algo parecido. Voltei alguns meses depois. Entrei. A mesma exposição. Voltei para trás. Ofereci o meu bilhete a um rapaz que disse que todas as semanas lá ía. Todas as semanas? Sempre a mesma obra? Sinceramente não tenho paciência.
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Descobrir o Mundo, por Reinaldo Russiano (II)
Não conseguia dormir. Estava com insónias. Uma questão assolava o espírito. Mais uma. Era a razão da ausência de sono. Muitas vezes ouvi a minha mãe. Meu deus, exclamava. Nunca me tinha interrogado. O que era o deus? Tinha-a já ouvido a dizer outras coisas. Nossa senhora . Minha mãe. Eram expressões comuns. Esta última até a entendo. Agora as outras...Não tenho grande vivência com o Mundo exterior. A maioria do conhecimento que tenho é devido à Internet. Não sabia o que era o deus. Nem quem era a senhora. A minha mãe nunca me chegou a explicar. Já morreu. Pesquisei. Deus. Wikipedia. Foi a primeira entrada a aparecer. Cliquei. Deus era uma ideia. Tem de se escrever com letra maiúscula. É uma ideia das pessoas. Antigamente, o que não era explicável era obra desse Deus. Na minha vida tudo era Deus. Até à uns tempos. Descobri a Internet.
Deus está ligado à religião. É um culto. Parace que há muitas pessoas no Mundo que seguem religiões. Catolicismo. Judaísmo. Ortodoxismo. Protestantismo. Todos com o mesmo Deus. Mas há mais deuses. Muçulmanos – Alá. Budistas – Buda. Hinduismo – têm vários. Mas para que querem as pessoas deuses? Não entendi. O culto também toma forma sob cerimónias. Têm locais próprios. Igrejas. Mesquitas. Sinagogas. Templos. Não queria ficar sem saber o que era. Fui a uma igreja.
Era a missa. Um senhor estava lá à frente. Falava. Dizia muitas coisas. Jesus. Maria. José. Judas. Esses Judas era mau. As pessoas cantaram. O senhor lá da frente contava histórias. Esse tal de Jesus multiplicava comida. Fazia ainda outras coisas. É como a Bimby! Coze. Pica (=Multiplica). Mói. Tenho uma lá em casa. Faz sopas tão gostosas...
As pessoas levantaram-se. Foram lá à frente. Eu também fui. Este é o corpo. Não via nada. Este é o sangue. Voltei a não ver. Também não queria ver. Sangue... Todos comiam bolachas. Pareciam ser boas. Fui lá. O senhor deu-me uma. Até não era má. Queria mais. São do Lidl? Perdão?! As bolachas, são do Lidl? BLASFÉMIA! Todos olharam. Não conheço. Há algum desses super’s na Buraca? BLASFÉMIA! Mas isso fica onde? BLASFÉMIA! O homem não sabia dizer mais nada. Blasfémia? Saí. Não mais lá voltei. Não era simpático.
Não voltei a comer essas bolachas. Também não me importo. Gosto mais de Oreo’s. Não gostei da religião.
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Reinaldo Russiano
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Descobrir o Mundo, por Reinaldo Russiano (I)
Saudações internautas! O meu nome é Reinaldo Russiano. Fui convidado pelos autores deste blog para fazer uma rábula semanal para este fantástico blog. Pediram-me para que contasse histórias sobre a minha pessoa, e assim o farei. Começo então por um evento recente, que me marcou profundamente. Desde então não sou o mesmo.
Acordei a meio da noite. Mais uma vez não contive a urina. Quarta vez esta semana. Limpei-me. Voltei a deitar-me na cama. Não conseguia voltar a adormecer. (muitos de vós pensam que não consigo adormecer devido à humidade da urina em contacto com a minha epiderme. Enganam-se). Não dormia porque não me saía uma ideia da cabeça, era sempre a mesma e não consegui parar de pensar. Tive de me levantar. Liguei o PC. Abri a wikipedia. Cavalos Marinhos. Esse tema não me saia da cabeça. Mas como é que se reproduzem? A wikipedia respondeu-me:
Ocorre na primavera. Os ovos postos pela fêmea são fertilizados pelo macho, que os guarda numa bolsa na base da sua cauda. Dois meses mais tarde, os ovos rompem-se e o macho realiza violentas contorções para expelir a cria. Quando nascem, são transparentes e medem pouco mais de um centímetro. Vão logo para a superfície para encher as suas bolsas de ar. O seu ritual de acasalamento consiste em dar cambalhotas com a fêmea.
É o macho que engravida. Fiquei interessado no tema. Era noite. Para melhor estudar a sexualidade deste animal pensei que devia conhecer primeiro a sexualidade do ser humano. Procurei. Dizia que o Homo Sapiens Sapiens, á semelhança de outras espécies tem machos e fêmeas (como os cavalos marinhos). Descobri que era um macho porque tinha um pénis. Para acasalar precisava de uma fêmea. Saí para a rua. Não encontrei ninguém com quem acasalar. Voltei para casa. Descobri então, depois de mais um pouco de pesquisa que existe algo parecido com o acasalamento, mas não envolve a penetração da fêmea. Chama-se masturbação. Não sabia o que era. Decidi procurar melhor. Encontrei 12 métodos de masturbação. Experimentei o primeiro:
Maçaneta da porta - Coloque lubrificante na palma da sua mão e logo que tenha o seu pénis erecto rode a palma da sua mão na ponta do seu pénis como se estivesse a abrir uma maçaneta de uma porta, depois rode no sentido contrário, alterne os movimentos rotativos.
Magoei-me. Não volto a tentar tão cedo. Decidi voltar para a cama e dormir um pouco. Acordei. Estava no terminal de comboios de Sta Apolónia. Estava a sonhar. Acordei. A cama continuava ensopada em urina. Fui tomar banho. Usei sabão azul e branco. Já estava mais cheiroso. Novamente uma ideia atingiu o meu espírito. Não eram cavalos marinhos. Era a masturbação. O meu pénis continuava marcado da noite anterior. Pensei. Como é possível alguém se submeter a tal tormento. Tentei enfiar a chave várias vezes no buraco (que depois vim a descobrir que era a uretra) e só me doía.
Vim a descobrir mais tarde que executei mal a actividade. Era sem a chave. Achei por bem escrever este post, não vá um dos nossos caros leitores arranjar uma infecção como a minha. Amputaram-me o pénis.
Acordei a meio da noite. Mais uma vez não contive a urina. Quarta vez esta semana. Limpei-me. Voltei a deitar-me na cama. Não conseguia voltar a adormecer. (muitos de vós pensam que não consigo adormecer devido à humidade da urina em contacto com a minha epiderme. Enganam-se). Não dormia porque não me saía uma ideia da cabeça, era sempre a mesma e não consegui parar de pensar. Tive de me levantar. Liguei o PC. Abri a wikipedia. Cavalos Marinhos. Esse tema não me saia da cabeça. Mas como é que se reproduzem? A wikipedia respondeu-me:
Ocorre na primavera. Os ovos postos pela fêmea são fertilizados pelo macho, que os guarda numa bolsa na base da sua cauda. Dois meses mais tarde, os ovos rompem-se e o macho realiza violentas contorções para expelir a cria. Quando nascem, são transparentes e medem pouco mais de um centímetro. Vão logo para a superfície para encher as suas bolsas de ar. O seu ritual de acasalamento consiste em dar cambalhotas com a fêmea.
É o macho que engravida. Fiquei interessado no tema. Era noite. Para melhor estudar a sexualidade deste animal pensei que devia conhecer primeiro a sexualidade do ser humano. Procurei. Dizia que o Homo Sapiens Sapiens, á semelhança de outras espécies tem machos e fêmeas (como os cavalos marinhos). Descobri que era um macho porque tinha um pénis. Para acasalar precisava de uma fêmea. Saí para a rua. Não encontrei ninguém com quem acasalar. Voltei para casa. Descobri então, depois de mais um pouco de pesquisa que existe algo parecido com o acasalamento, mas não envolve a penetração da fêmea. Chama-se masturbação. Não sabia o que era. Decidi procurar melhor. Encontrei 12 métodos de masturbação. Experimentei o primeiro:
Maçaneta da porta - Coloque lubrificante na palma da sua mão e logo que tenha o seu pénis erecto rode a palma da sua mão na ponta do seu pénis como se estivesse a abrir uma maçaneta de uma porta, depois rode no sentido contrário, alterne os movimentos rotativos.
Magoei-me. Não volto a tentar tão cedo. Decidi voltar para a cama e dormir um pouco. Acordei. Estava no terminal de comboios de Sta Apolónia. Estava a sonhar. Acordei. A cama continuava ensopada em urina. Fui tomar banho. Usei sabão azul e branco. Já estava mais cheiroso. Novamente uma ideia atingiu o meu espírito. Não eram cavalos marinhos. Era a masturbação. O meu pénis continuava marcado da noite anterior. Pensei. Como é possível alguém se submeter a tal tormento. Tentei enfiar a chave várias vezes no buraco (que depois vim a descobrir que era a uretra) e só me doía.
Vim a descobrir mais tarde que executei mal a actividade. Era sem a chave. Achei por bem escrever este post, não vá um dos nossos caros leitores arranjar uma infecção como a minha. Amputaram-me o pénis.
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